"As gigantescas estruturas, possivelmente as maiores giratórias do universo, se assemelham, guardadas as devidas proporções, às gavinhas. Conexão inusitada e instigante. A cotidiana, pequena e frágil formação vegetal encerra semelhança com o colossal, poderoso e somente agora descoberto objeto cósmico. Será que existiriam ainda outras conexões entre titãns cósmicos e corriqueiros elementos de nosso dia a dia? Quem sabe?"
Postagem na Space.com esclarece a possibilidade de existência de estruturas de fato muito grandes, bastante maiores que aglomerados de galáxias e diante das quais qualquer galáxia pareceria uma partícula de poeira, que encontram-se em rotação. É o que indica estudo científico em que se baseia a postagem, publicado em 14 de junho na Revista Nature Astronomy.
Até o momento não haviam sido observadas rotações em estruturas tão grandes. Pelo que pude entender, muitos dos especialistas acreditavam que as velocidades de rotações decresceriam com o tamanho da estrutura envolvida de forma que mesmo outras bem menores que as consideradas no trabalho já teriam rotações muito baixas, ou mesmo não as teriam. De forma que movimentos rotatórios nas gigantescas estruturas não deveriam existir, se não ocorreriam a velocidades muito baixas.
O texto na Space.com traduzido logo abaixo faz referência a gavinhas, tratam-se de delicadas estruturas presentes em chuchuzeiros e maracujazeiros, entre outros vegetais. O quadro abaixo mostra sua breve definição, a imagem logo a seguir é uma fotografia de um exemplar.
As gigantescas estruturas, possivelmente as maiores giratórias do universo, se assemelham, guardadas as devidas proporções, às gavinhas. Conexão inusitada e instigante. A cotidiana, pequena e frágil formação vegetal encerra semelhança com o colossal, poderoso e somente agora descoberto objeto cósmico. Será que existiriam ainda outras conexões entre titãns cósmicos e corriqueiros elementos de nossos cotidianos? Quem sabe?
Segue a tradução.
"Gavinhas de galáxias com até centenas de milhões de anos-luz de comprimento podem ser os maiores objetos giratórios do universo, conforme descoberta em um novo estudo.
Os corpos celestes geralmente giram, de planetas a estrelas e galáxias (¹Como a galáxia mostrada na figura próxima à base deste texto). No entanto, aglomerados gigantes de galáxias geralmente giram muito lentamente, se é que giram, de modo que muitos pesquisadores pensavam que é aí que a rotação pode terminar em escalas cósmicas, disse o co-autor do estudo Noam Libeskind, cosmólogo do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam, na Alemanha, à Space.com.
Mas na nova pesquisa, Libeskind e seus colegas descobriram que os filamentos cósmicos, ou tubos gigantescos feitos de galáxias, aparentemente giram. "Existem estruturas tão vastas que galáxias inteiras são apenas partículas de poeira", disse Libeskind. "Esses filamentos enormes são muito, muito maiores do que os aglomerados." (²A figura no topo da página é uma representação artística da estrutura).

Pesquisas anteriores sugeriram que, depois que o universo nasceu no Big Bang, cerca de 13,8 bilhões de anos atrás, muito do gás que compõe a maior parte da matéria conhecida do cosmos entrou em colapso para formar folhas colossais. Essas folhas então se separaram para formar os filamentos de uma vasta teia cósmica.
Usando dados do Sloan Digital Sky Survey, os cientistas examinaram mais de 17.000 filamentos, analisando a velocidade com que as galáxias que compõem esses tubos gigantes se moviam dentro de cada gavinha. Os pesquisadores descobriram que a maneira como essas galáxias se moviam sugeria que elas giravam em torno do eixo central de cada filamento.
O mais rápido que os pesquisadores viram as galáxias girarem em torno dos centros ocos dessas gavinhas foi de cerca de 360.000 km / h (223.700 mph). Os cientistas notaram que não sugerem que todos os filamentos do universo girem, mas que os filamentos giratórios parecem existir.
A grande questão é: "Por que eles giram?" Libeskind disse. O Big Bang não teria dotado o universo de nenhuma rotação primordial. Como tal, o que quer que tenha causado a rotação desses filamentos deve ter se originado mais tarde na história, conforme as estruturas se formaram, disse ele.
Uma possível explicação para essa rotação é que como os poderosos campos gravitacionais desses filamentos atraem gás, poeira e outros materiais para dentro deles em um processo de colapso, as forças de cisalhamento resultantes podem ter gerado a rotação deste material. Ainda assim, agora, "não temos certeza do que pode causar um torque nesta escala", disse Libeskind.
Os cientistas agora procuram entender a origem do spin do filamento por meio de simulações de computador de como a matéria se comporta nas maiores escalas cosmológicas. Os pesquisadores detalharam suas descobertas online em 14 de junho na revista Nature Astronomy."
*1,2 notas do tradutor.